Carregando blog0%

pedrodapps.com/blog

← Todos os posts

#programação #dev #segurança #ferramentas

App falso do Claude distribui malware que rouba senhas e carteiras de cripto

Capa do post: App falso do Claude distribui malware que rouba senhas e carteiras de cripto

A demanda por ferramentas de IA virou isca para golpistas. Pesquisadores da Morphisec divulgaram na segunda-feira (1º) uma campanha que distribui o malware RevStealer dentro de um aplicativo falso do Claude — mais especificamente, um projeto no GitHub chamado “Claude Opus 5 Free Desktop”, que promete acesso gratuito a um modelo pago.

O RevStealer é um malware para Windows feito para roubar senhas, dados de navegador e material de carteiras de criptomoedas — são mais de 50 carteiras na mira, incluindo caminhos ligados ao Ledger Live.

Como o golpe funciona

A vítima é atraída por uma promessa comum: uma versão gratuita de um produto pago. O arquivo baixado tem cerca de 101 MB e é um aplicativo Electron trojanizado — mas que não abre nenhuma interface útil.

Antes de liberar o payload, o malware faz uma bateria de checagens para ver se está rodando em uma máquina real:

  • verifica memória disponível, núcleos de processador, hostname, nome de usuário e placa de vídeo;
  • monitora atrasos de depuração (debugging);
  • se o ambiente parecer automatizado ou sob análise, não libera o próximo estágio.

Em uma máquina que passa nos testes, o programa descriptografa um payload AES-256-CBC embutido nos próprios recursos, grava o componente em uma pasta aleatória do AppData, executa sem janela visível e tenta apagar o arquivo de staging. Os pesquisadores também observaram uma tentativa de adicionar a pasta AppData às exclusões do Microsoft Defender — ou seja, o malware tenta desarmar o antivírus.

O que ele rouba

O RevStealer coleta dados em registros curtos e criptografados, enviados sem montar um grande arquivo em disco:

  • bancos de dados e cookies de navegadores;
  • registros de gerenciadores de senhas;
  • configurações de VPN e acesso remoto;
  • dados de mensageiros (incluindo sessões do Telegram Desktop);
  • capturas de tela e documentos selecionados;
  • mais de 50 carteiras de criptomoedas.

O malware não usa chave de registro, tarefa agendada ou entrada de inicialização: ele opera em uma janela curta de roubo e se autodestrói. Se o servidor de comando e controle principal estiver fora do ar, ele consegue buscar um endereço substituto através de um smart contract na Polygon, dificultando a derrubada da infraestrutura.

Como se proteger

A recomendação dos pesquisadores é direta: baixe software apenas dos canais oficiais — no caso do Claude Code, o comando legítimo é:

curl -fsSL https://claude.ai/install.sh | bash

Desconfie de qualquer comando de instalação que:

  • esconda a URL com Base64 ou substituição de comando ($(...));
  • use a opção -k (que desativa a validação do certificado TLS);
  • use HTTP puro em vez de HTTPS;
  • aponte para domínios não relacionados ao fabricante do software.

Para organizações: bloquear execução de locais graváveis, monitorar alterações nas exclusões do antivírus e exigir autenticação forte reduz bastante a superfície de ataque. Se suspeitar de infecção, revogue sessões expostas, troque senhas e mova fundos de cripto imediatamente.

O padrão é o mesmo que já apareceu em outras campanhas de malware roubando carteiras e em golpes de phishing com IA: o golpista não invade o sistema da empresa — ele usa a confiança do usuário em um produto popular.

Fonte: Cyber Security News — relatório da Morphisec