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Falha em carteira Coldcard permite roubo de US$ 112 milhões em Bitcoin — com suspeita de uso de IA

Uma falha de segurança que ficou embutida no firmware da carteira de hardware Coldcard desde março de 2021 permitiu que invasores extraíssem mais de 1.778 Bitcoin de mais de 8.600 endereços — um prejuízo verificado de cerca de US$ 112,7 milhões. É o maior comprometimento de carteiras de hardware já documentado.
O ataque coordenado começou em 30 de julho de 2026. Em uma janela de apenas 41 minutos, os invasores drenaram mais de 1.000 BTC de mais de 1.000 endereços. Desde 6 de agosto, nenhuma transação maliciosa adicional foi detectada.
A origem do problema
O defeito entrou no código na versão 4.0.1 do firmware, distribuída pela Coinkite. Essa atualização redirecionou, por engano, a geração das frases-semente de um gerador de números aleatórios baseado em hardware para um gerador pseudoaleatório baseado em software.
A aleatoriedade gerada por software é bem mais previsível — o que deixa as chaves criptográficas resultantes mais expostas a replicação ou ataques de força bruta. Relatos indicam que um desenvolvedor alertou a Coinkite sobre o problema ainda em maio de 2025, mas a brecha ficou aberta tempo suficiente para que os atacantes desenvolvessem estruturas de exploração em escala, mirando os modelos Mk2, Mk3, Mk4, Q e Mk5.
IA no ataque — e a defesa de mãos atadas
A Galaxy Research concluiu, com “certeza substancial”, que os invasores usaram sistemas de IA sem as salvaguardas de segurança cibernética para localizar e transformar a vulnerabilidade em arma. O modelo open source Kimi K3 foi citado como exemplo da tecnologia provavelmente usada na violação.
O detalhe que mais chamou atenção: segundo Rob Hamilton, CEO da Anchorwatch, os protocolos de segurança restritivos dos principais laboratórios de IA dos Estados Unidos impediram que profissionais de cibersegurança usassem ferramentas defensivas equivalentes — forçando as equipes de proteção a depender dos mesmos modelos open source chineses usados pelos atacantes.
Hamilton reuniu cerca de 25 especialistas, incluindo o desenvolvedor James O’Beirne e Calle, da Cashu, para criar o Bitcoin Red Team, grupo que vem revisando repositórios de código do ecossistema cripto em busca de fraquezas.
“O ataque à Coldcard ainda está em andamento”, alertou Alex Thorn, head de pesquisa da Galaxy. (tradução livre) A Coinkite publicou um boletim de segurança em 30 de julho e distribuiu o firmware corrigido no dia 31; o CEO Rodolfo Novak divulgou um pedido formal de desculpas.
O que os afetados precisam fazer
Instalar o firmware atualizado não resolve o problema de quem já gerou a semente na versão vulnerável: essas frases continuam permanentemente comprometidas. Os usuários precisam criar uma semente totalmente nova em firmware corrigido e mover os fundos para as novas carteiras.
Do total roubado, cerca de 1.531 BTC seguem parados em endereços controlados pelos atacantes. Outros 246 BTC foram movimentados — 65% para serviços de mistura como o Coinjoin e 35% por métodos desenhados para apagar o rastro.
Um alívio: nenhum roubo ocorreu em carteiras multisig, que exigem múltiplas chaves para autorizar uma transação. A Galaxy distribuiu os endereços dos atacantes a exchanges, órgãos reguladores e autoridades para tentar congelar os ativos caso cheguem a serviços centralizados.
O caso ocupa a 20ª posição entre os maiores roubos de criptomoedas já registrados — abaixo dos US$ 130 milhões da Multichain (2023) e acima dos US$ 100 milhões da ponte Horizon da Harmony (2022).
Fonte: Blockonomi