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Projetos cripto gastam recorde de US$ 638 milhões em recompras de tokens em 2026

Os projetos de criptomoedas gastaram um valor recorde de US$ 638 milhões em recompras de seus próprios tokens em 2026 — segundo dados da Allium Labs citados pelo Financial Times. O número já supera os US$ 545 milhões registrados no mesmo período de 2025 e fica muito acima dos míseros US$ 366 mil gastos em 2024, ano em que a prática era praticamente inexistente.
A lógica é a mesma dos buybacks de ações: um protocolo lucrativo usa parte da receita para comprar o próprio token no mercado aberto, reduzindo a oferta circulante ou criando demanda de compra sustentada. Alguns projetos queimam os tokens comprados; outros seguram ou redistribuem conforme a tokenomics.
Dois projetos concentram quase tudo
O mercado ainda é concentrado: Hyperliquid e Pump.fun respondem por cerca de 90% do total — aproximadamente US$ 570 milhões dos US$ 638 milhões.
| Métrica | Hyperliquid (HYPE) | Pump.fun (PUMP) |
|---|---|---|
| Gastos com buyback em 2026 | ~US$ 370 milhões | ~US$ 200 milhões |
| Retorno do token no ano | +145% | +109% |
| Receita destinada ao buyback | ~99% das fees elegíveis | ~50% da receita líquida |
A Hyperliquid, exchange descentralizada de futuros perpétuos, direciona cerca de 99% das taxas de negociação elegíveis para compras de HYPE por meio do seu Assistance Fund. A Pump.fun adota uma postura mais moderada, mas ainda assim destina metade da receita líquida do protocolo para recomprar PUMP.
Os resultados saltam aos olhos: HYPE subiu cerca de 145% no ano, e PUMP, 109% — enquanto o Bitcoin caiu aproximadamente 10% no mesmo período.
A tendência começa a se espalhar
O movimento está deixando de ser caso isolado. A Ethena Foundation abriu em 27 de agosto uma votação de governança para um fee switch que direcionaria 95% da receita líquida de seus negócios principais para a recompra de ENA — e o token subiu 10,7% no dia seguinte ao anúncio.
O CIO da Bitwise, Matt Hougan, argumentou em agosto que as avaliações de cripto podem dobrar nos próximos dois anos à medida que mais protocolos usem receita para recompras e queimas, aumentando o valor efetivamente devolvido aos investidores.
O que observar
Duas ressalvas importantes, na minha opinião:
- Concentração: com 90% vindo de dois projetos, o “recorde” ainda não é uma prática difundida — é a estratégia agressiva de duas plataformas lucrativas.
- Ciclicidade: a estratégia depende de receita recorrente de taxas. Se o mercado cair e a atividade de negociação encolher, a pressão de compra some justamente quando o investidor mais precisa dela.
Ainda assim, o sinal de fundo é relevante: protocolos começando a devolver receita ao token — em vez de depender só de especulação — aproxima o modelo de valuation de cripto do modelo de ações. É um tema que combina com o movimento institucional que já acompanhamos aqui.
Fonte: Financial Times