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Strategy volta a comprar bitcoin: 4.603 BTC por US$ 370 mi encerram pausa de 10 semanas

Capa do post: Strategy volta a comprar bitcoin: 4.603 BTC por US$ 370 mi encerram pausa de 10 semanas

A Strategy — a empresa de tesouraria de bitcoin liderada por Michael Saylor, antiga MicroStrategy — voltou a acumular a criptomoeda depois de uma pausa de dez semanas. Entre 24 e 30 de agosto, ela comprou 4.603 BTC por aproximadamente US$ 369,7 milhões, a um preço médio de US$ 80.318 por bitcoin, segundo um formulário 8-K enviado à SEC na segunda-feira.

Com a compra, a Strategy passou a segurar 845.050 BTC — um estoque avaliado em cerca de US$ 66,1 bilhões ao preço atual, comprado a um custo médio de US$ 75.412 por unidade (custo total de cerca de US$ 63,73 bilhões, incluindo taxas). Para dar escala: são mais de 4% do limite de 21 milhões de bitcoins que existirão, e um lucro de papel de aproximadamente US$ 2,34 bilhões com o BTC acima de US$ 78 mil.

O sinal de Saylor

O fim da pausa foi anunciado no estilo que virou marca registrada. No domingo, Saylor postou no X um resumo com a legenda “We’re back”, antecipando a retomada das compras. Na segunda-feira, veio o reforço com “paint the bears orange” — o sinal de que a maior detentora corporativa de bitcoin divulgaria novas aquisições da semana anterior.

Na publicação oficial, Saylor resumiu os números:

“Strategy has acquired 4,603 BTC for $370M, increased USD Cash by $29M, and repurchased $152M of STRC. As of 8/30/26, we hold 845,050 BTC and $6.71B of USD Assets, bringing Net Leverage to 0.0%.”

De onde veio o dinheiro

A compra foi financiada pela venda de ações no programa ATM (at-the-market): na semana passada, a empresa vendeu 4.531.421 ações da classe A (MSTR) por aproximadamente US$ 602,8 milhões.

O restante do caixa foi distribuído assim:

  • US$ 151,8 milhões para recomprar 1.557.177 ações preferenciais STRC;
  • US$ 50,7 milhões em dividendos das ações preferenciais;
  • US$ 30 milhões adicionados ao caixa em dólares, que fechou agosto em US$ 1,61 bilhão (a USD Reserve somava US$ 5,1 bilhões);
  • ainda restam US$ 19,09 bilhões em ações MSTR disponíveis para emissão e venda no ATM.

A movimentação segue o Digital Credit Capital Framework, que limita o uso da reserva em dólares a dividendos e juros das preferenciais, e autorizou programas de recompra de US$ 1 bilhão para os digital credit securities (começando pela STRC) e outro de US$ 1 bilhão para ações ordinárias. O BTC Monetization Program foi ampliado para permitir a venda de até US$ 5 bilhões em bitcoin para financiar reserva, dividendos, juros e recompra de títulos.

O que isso significa para o mercado

A retomada reforça o apetite institucional pelo bitcoin em um mês já forte: a maior criptomoeda subiu mais de 25% nos últimos 30 dias (veja o rallies de agosto), enquanto a ação da Strategy fechou a semana passada em US$ 127,31, alta de 6,3%.

Segundo dados do Bitcoin Treasuries, 198 empresas públicas já adotam algum modelo de aquisição de bitcoin. Mesmo assim, o mercado cobra caro pelos títulos do grupo: a MSTR ainda negocia 63% abaixo do pico do verão de 2025, com múltiplo mNAV de 1,07.

O que observar

A volta da Strategy ao mercado tem dois efeitos. Primeiro, tira do cenário a dúvida sobre o apetite da maior compradora corporativa — a pausa de dez semanas era vista por parte do mercado como possível mudança de estratégia. Segundo, mantém o ritmo de “drenagem” de oferta: cada compra como essa retira milhares de bitcoins da circulação ativa em um ambiente de ETFs já aquecidos. Para quem acompanha a tese de escassez, é mais um reforço — mas também mais um lembrete de que o preço da ação da Strategy não acompanha o do ativo.

Fonte: The Block