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Bitcoin se mantém acima de US$ 78 mil apesar de ataques entre EUA e Irã — e fecha agosto com melhor mês desde 2017

Capa do post: Bitcoin se mantém acima de US$ 78 mil apesar de ataques entre EUA e Irã — e fecha agosto com melhor mês desde 2017

O Bitcoin passou ileso por um fim de semana de escalada militar no Oriente Médio. Na segunda-feira (31), a criptomoeda operava perto de US$ 78.623, queda inferior a 1% em 24 horas, depois de tocar uma mínima intraday de US$ 77.162 — mesmo com o petróleo disparando e as bolsas americanas em território negativo.

O pano de fundo era tenso: forças dos EUA atacaram dois lançadores de foguetes iranianos na Ilha Larak, no Estreito de Ormuz — os primeiros ataques americanos diretos ao Irã desde o fim de julho. O Irã respondeu com ataques a duas bases americanas na Jordânia, encerrando cerca de um mês sem confrontos militares diretos.

Enquanto o WTI subiu 2,6% (a US$ 85,60 o barril) e o Brent voltou a cruzar os US$ 90, o S&P 500 caiu 0,5% e o Nasdaq, 0,4%. O ouro, que costuma brilhar em crise geopolítica, recuou 0,8% — o que deixa o Bitcoin como o ativo mais composto da turma.

O mês histórico

O dado que mais impressiona é o acumulado: o Bitcoin está no caminho de fechar agosto com alta superior a 24% — o melhor desempenho mensal desde 2017. No mesmo período, o ouro subiu cerca de 9% e o Nasdaq, 4%. Entre as grandes classes de ativos, o Bitcoin foi o melhor investimento do mês.

O analista Iliya Kalchev, da Nexo Dispatch, argumenta que a resiliência em si é a notícia mais relevante:

Um Fed hawkish e uma escalada geopolítica ativa raramente atingem ativos de risco na mesma semana — ver o Bitcoin se manter diante dos dois ao mesmo tempo é, possivelmente, um sinal mais significativo do que o ganho de agosto.

Os dados de derivativos reforçam a leitura de reposicionamento: o volume em 24 horas mais que dobrou, para US$ 183 bilhões, enquanto o open interest ficou praticamente estável.

O outro lado da moeda

Não é só geopolítica. O chair do Fed, Kevin Warsh, endureceu o tom no simpósio de Jackson Hole (28/08): o PCE de 12 meses está em 3,7% e a variação de 6 meses em 4,1%, e as condições financeiras “dificilmente podem ser descritas como restritivas”. O mercado passou a precificar cerca de 58% de chance de alta de juros em setembro — antes eram ~35%.

Nos ETFs, o fluxo também mudou: os fundos spot de Bitcoin quebraram uma sequência de nove dias de entradas em 28/08, com saída estimada de US$ 201,9 milhões. A BlackRock, ainda assim, reportou mais de US$ 1,58 bilhão em entradas combinadas em seus ETFs de Bitcoin e Ethereum na semana.

O Ethereum negociava perto de US$ 2.448, com ganho próximo de 30% no mês e um “golden cross” no gráfico diário. O Índice de Medo e Ganância marcava 62 — ainda em “ganância”.

O que observar

O cenário técnico imediato aponta suporte em torno de US$ 77 mil e resistência na faixa de US$ 79,4 mil a US$ 80,8 mil. Os próximos gatilhos são macro: o relatório de empregos dos EUA (payroll) em 4 de setembro e o CPI de agosto em 11 de setembro.

Para mim, a leitura mais interessante é de estrutura: em uma semana de guerra no Oriente Médio + Fed hawkish, o Bitcoin não apenas segurou como liderou o mês. Isso não é garantia de nada — mas confirma que o ativo deixou de ser tratado como o “primeiro a cair” em cenário de aversão a risco. Acompanhe também o movimento institucional via Strategy e o rally de agosto para o contexto completo.

Fonte: BigGo Finance (via CoinDesk)