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World libera ProveKit: toolkit open-source para provar idade e identidade sem revelar seus dados

A World (antiga Worldcoin), startup de identidade humana co-fundada por Sam Altman, abriu o código do ProveKit — um toolkit de provas de conhecimento-zero (ZK) para identidade. A ferramenta, que já rodava no World ID em acesso antecipado desde abril, agora pode ser usada por qualquer desenvolvedor fora da World, como a fundação confirmou ao The Block.
A proposta, em uma frase: provar uma afirmação sobre você sem entregar os dados por trás dela. Com o ProveKit, o usuário gera a prova criptográfica direto no próprio celular ou navegador para validar, por exemplo, idade, nacionalidade ou a posse de um documento de identidade válido — e o verificador recebe apenas a confirmação daquela afirmação específica, nada além disso.
“Estamos lançando o ProveKit open source porque acreditamos que essa tecnologia é essencial para a autenticação que preserva a privacidade e deve ser neutra e sem permissão” — porta-voz da World Foundation, ao The Block.
Por que isso importa agora
O contexto de segurança dá urgência ao tema. Nesta semana, o jornalista investigativo Brian Krebs noticiou que o FBI investiga o serviço Nexus, na dark web, que vende varreduras de mais de 153 milhões de carteiras de motorista dos EUA e do Canadá — dados que parecem ter sido extraídos da verificadora de identidade IDScan.net. O caso ilustra o risco de concentrar dados pessoais em servidores de terceiros.
“Documentos de identidade só deveriam ser autenticados com provas de conhecimento-zero”, escreveu no X Remco Bloemen, head de blockchain da World Foundation. “Pare de revelar todos os seus dados pessoais só para provar que você tem uma carteira de motorista válida.”
Como funciona por dentro
- Geração local de provas: em vez de delegated proving (enviar os dados para provar em servidores externos), tudo roda no dispositivo do usuário — o que reduz a superfície de exposição e mantém a pessoa no controle das informações.
- Documentos com NFC: passaportes e identidades com chip NFC são lidos pelo celular; como esses documentos são assinados criptograficamente pela autoridade emissora, a assinatura pode ser verificada dentro de um circuito de conhecimento-zero, sem copiar o documento.
- Suporte a Noir: o toolkit usa a linguagem Noir (inspirada em Rust, criada pela Aztec para aplicações ZK) e permite criar novas afirmações prováveis sem precisar embutir cada uma no pacote do aplicativo.
- Hardware comum: as provas levam segundos em um celular típico e menos de 30 segundos em um aparelho básico usado nos testes.
O ProveKit mira segurança pós-quântica de 128 bits e dispensa trusted setup. A v1 é production-ready e otimizada para verificação off-chain (servidores, computadores e celulares); a v2, em desenvolvimento, deve reduzir tamanho da prova, tempo e memória — e adicionar verificação on-chain mais eficiente. Entre os caminhos estudados está o suporte a Groth16, esquema de prova zk-SNARK cujas provas são muito baratas de verificar em blockchains como World Chain, Ethereum, Base e Solana.
O que observar
Para quem desenvolve, o ProveKit é uma amostra prática de um movimento maior: a identidade verificável saindo dos servidores e indo para o dispositivo do usuário — na mesma direção de iniciativas como a identidade para agentes de IA em Hong Kong. O ponto didático é o conhecimento-zero aplicado a um problema cotidiano: você não precisa entregar o documento inteiro para provar que tem mais de 18 anos. Claro, a World enfrenta escrutínio regulatório em vários países (Espanha, Quênia, Brasil, Indonésia, Coreia do Sul, Hong Kong e Filipinas) por causa do projeto biométrico — mas o toolkit em si mostra como a prova criptográfica local pode ser neutra e reutilizável.
Fonte: The Block — World open-sources ProveKit, a zero-knowledge identity proving toolkit