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#blockchain #segurança #regulação

Hackers da Coreia do Norte movem US$ 30 mi em bitcoin pela Hyperliquid em plena negociação para entrar nos EUA

Capa do post: Hackers da Coreia do Norte movem US$ 30 mi em bitcoin pela Hyperliquid em plena negociação para entrar nos EUA

Carteiras ligadas ao Lazarus Group — o grupo de hackers da Coreia do Norte sancionado pelo Tesouro dos EUA — moveram mais de US$ 30 milhões em bitcoin pela Hyperliquid nas últimas três semanas, segundo dados da plataforma de inteligência blockchain Arkham. A revelação chega no pior momento possível para a exchange descentralizada: ela negocia, justamente agora, um caminho regulado para entrar no mercado americano.

O pesquisador da Arkham, Emmett Gallic, identificou as carteiras e atribuiu a autoria ao Lazarus com base na investigação feita pelo rastreador ZachXBT em 2024, que já havia ligado o mesmo cluster de endereços a US$ 61 milhões em fundos roubados. Ou seja: não são carteiras desconhecidas — são endereços que já estavam sob vigilância.

Como o dinheiro circulou

O fluxo segue o padrão clássico de lavagem do grupo:

  • o bitcoin foi depositado e vendido na Hyperliquid;
  • os fundos foram convertidos em Ethereum (ETH) e Solana (SOL);
  • o saldo foi transferido para exchanges centralizadas — Kraken, LBank e KuCoin — e para serviços não identificados na rede Tron.

Espalhar o dinheiro por múltiplas plataformas é a técnica mais comum para dificultar o rastreio do destino final dos recursos ilícitos.

O problema do timing

A movimentação vem à tona no exato momento em que a Hyperliquid tenta se aproximar da regulação americana. Em evento na Casa Branca em agosto, o presidente Donald Trump citou a plataforma diretamente e creditou ao chairman da CFTC, Michael Selig, a condução do processo:

“I understand that Mike is also working to bring Hyperliquid into the United States in a fully compliant and legal fashion, working very hard on that.”

Além disso, a Payward — controladora da Kraken — está em negociações avançadas com a Hyperliquid Labs para permitir que usuários americanos negociem uma parcela dos contratos perpétuos da plataforma. A estrutura contaria com a Bitnomial, exchange e câmara licenciada pela CFTC, sujeita à aprovação regulatória. Um “Kraken HIP-3 test DEX” teria aparecido no testnet da Hyperliquid duas semanas antes, com controles de permissão que poderiam atender a requisitos de compliance dos EUA.

O mercado, por enquanto, não parece assustado: o token HYPE subiu cerca de 50% (de US$ 57 para US$ 84) com as notícias das negociações americanas, e ganhou mais 5% após o relatório da Bloomberg. A pergunta é se a CFTC vai tratar a atividade sancionada como um sinal de alerta de compliance.

Contexto que pesa

O Lazarus não é um grupo qualquer. Ele esteve por trás do ataque à Ronin Network em 2022 (cerca de US$ 625 milhões) e do roubo de US$ 1,5 bilhão na Bybit em 2025 — o maior roubo da história das criptomoedas. Segundo relatos, atores ligados à Coreia do Norte roubaram cerca de US$ 1,6 bilhão no primeiro semestre de 2025, o equivalente a 70% das perdas globais do período.

O que observar

A coincidência de calendário é o ponto central: enquanto os EUA desenham um caminho regulatório para a Hyperliquid (leia sobre a regulação nos EUA no post sobre o CLARITY Act), carteiras sancionadas seguem usando a plataforma para liquidar bitcoin roubado. Como a indústria lida com isso — bloqueando endereços, implementando controles ou apenas observando — vai definir se a entrada regulada sai do papel ou se a sombra da sanção atrasa o processo.

Fonte: Crypto Briefing · dados da Arkham revisados pela CoinDesk