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No G20, Zuckerberg e Musk cobram mais data centers de IA e alertam para 'crise de energia'

Capa do post: No G20, Zuckerberg e Musk cobram mais data centers de IA e alertam para 'crise de energia'

Mark Zuckerberg (Meta) e Elon Musk (Tesla/SpaceX) usaram a reunião dos ministros de tecnologia do G20 para pedir mais data centers de inteligência artificial — e soaram o alarme sobre os dois gargalos dessa expansão: eletricidade e mão de obra especializada. O encontro aconteceu em Chapel Hill, na Carolina do Norte, organizado pela Casa Branca, com os chefes de tecnologia falando de forma virtual.

O pano de fundo é político: os Estados Unidos se aproximam das eleições de meio de mandato e pesquisas mostram que a maioria dos americanos passou a ser contra a construção de data centers, incomodada com contas de luz mais altas e com o barulho das instalações. Um dia antes, o presidente Donald Trump classificou os opositores dos data centers de “atrasados e pobres” (“backwards and poor”).

O que Zuckerberg e Musk disseram

Zuckerberg afirmou que a construção da infraestrutura vai exigir “centenas de milhares e talvez milhões de empregos” em ofícios especializados:

“What we’ve basically found at Meta is that we… can’t find the skilled tradespeople that we need to build the data centres… that we as one company are trying to build.”

Ou seja: mesmo uma empresa do porte da Meta não está conseguindo contratar eletricistas, técnicos e demais profissionais para tocar suas próprias obras.

Musk foi na mesma direção e usou o termo “crisis of power” (crise de energia) para descrever o momento do setor — e disse que o problema é imediato:

“There will be a significant power shortfall next year, not (the) distant future.”

Segundo ele, a escassez de eletricidade está dando vantagem à China na corrida da IA, e sua empresa estaria construindo a própria geração de energia para acompanhar os data centers.

O tamanho do bolo, segundo os bilionários

Musk também repetiu sua aposta de que a IA vai inflar a economia global em 20% a 30% ao ano — algo entre US$ 20 trilhões e US$ 30 trilhões anuais. Já Demis Hassabis, chefe do Google DeepMind, comparou a chegada da IA de nível humano a dez vezes o impacto da Revolução Industrial:

“It’s a huge opportunity that we have to grasp… but we’ve got to do that in a responsible way.”

O recado à Europa

Musk aproveitou para criticar a regulação europeia, que classificou como excessiva e nociva à inovação. Na visão dele, o novo deve ser “legal por padrão” em vez de “ilegal por padrão”:

“In the EU… things are generally default illegal. It doesn’t ultimately stop it, but it slows it down quite considerably.”

Os ministros de França, Itália e Alemanha estavam na sala — junto com a chefe de tecnologia da UE, Henna Virkkunen.

O que observar

Dois pontos merecem atenção. Primeiro: a narrativa mudou de “falta de chips” para “falta de energia e de gente” — os dois novos gargalos da IA são físicos e aparecem nas discussões de política pública (o blog já mostrou como as mineradoras de bitcoin estão surfando essa mesma onda). Segundo: a reunião antecede a cúpula de líderes do G20, marcada para 14 e 15 de dezembro em Miami — Jensen Huang (Nvidia) e Sam Altman (OpenAI) eram esperados presencialmente para conversas com o secretário de Comércio Howard Lutnick no dia seguinte ao encontro ministerial. O tom do debate sobre regulação de IA nos EUA está sendo definido agora.

Fonte: Malay Mail / AFP