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Apple e OpenAI travam guerra nos tribunais: 'destruição de provas' e 'caça às bruxas'

Capa do post: Apple e OpenAI travam guerra nos tribunais: 'destruição de provas' e 'caça às bruxas'

A guerra judicial entre Apple e OpenAI escalou de vez. Na segunda-feira (31), as duas empresas trocaram acusações em documentos enviados à Justiça federal dos Estados Unidos: a OpenAI pediu que o pedido de liminar da Apple seja negado, chamando as alegações de “caça às bruxas” — enquanto a Apple afirma que a rival está destruindo provas no caso de segredos comerciais.

A audiência está marcada para 1º de outubro, e o que estiver em jogo é grande: se o processo avançar para a fase de descoberta de provas, duas das empresas mais secretas da tecnologia podem ser obrigadas a revelar como recrutam talentos, desenvolvem hardware e protegem informações confidenciais.

A resposta da OpenAI

Ao contestar o pedido de liminar que bloquearia o uso de qualquer informação confidencial durante o andamento do processo, a OpenAI foi direta:

“This dispute is a mess of Apple’s own making, and it is trying to blame everyone else.”

A empresa também afirmou que a Apple “não pode usar seus próprios procedimentos descuidados para culpar os outros pela sua própria bagunça” — referindo-se à tese de que a fabricante do iPhone teria falhado em proteger seus próprios dados.

O que a Apple alega

Do outro lado, a Apple escalou na mesma segunda-feira: em documento citado primeiro pela Bloomberg, a empresa acusa a OpenAI de destruir ativamente evidências no caso.

A briga começou em julho, quando a Apple processou a OpenAI alegando roubo de segredos comerciais. O ponto central envolve Chang Liu, engenheiro que deixou a Apple em janeiro de 2026 para trabalhar na OpenAI: segundo a acusação, Liu não devolveu o MacBook corporativo, explorou uma falha de autenticação para invadir a rede interna da Apple e levou dezenas de arquivos de segredos de hardware.

A Apple também alega que executivos da OpenAI e ex-funcionários da Apple orquestraram um esforço mais amplo para obter informações sobre produtos não lançados — e que a OpenAI teria abordado parceiros da Apple usando essas informações confidenciais.

A cronologia da escalada

  • Jun/2024 — Apple e OpenAI anunciam parceria para levar o ChatGPT ao iPhone, iPad e Mac;
  • Mai/2025 — OpenAI compra a io, startup do ex-design da Apple Jony Ive, por US$ 6,4 bi — sinal de que quer entrar no hardware;
  • Jul/2026 — Apple processa a OpenAI por roubo de segredos comerciais;
  • 3/ago — Apple pede liminar para impedir a OpenAI de usar as informações disputadas;
  • 5/ago — OpenAI pede a rejeição do processo, argumentando que o caso reflete a dificuldade da Apple em reter engenheiros;
  • 19/ago — Apple insiste em levar o caso à fase de descoberta de provas;
  • 31/ago — OpenAI responde à liminar (“bagunça criada pela própria Apple”) e a Apple acusa a rival de destruir provas;
  • 1º/out — audiência marcada.

O que observar

Dois pontos me chamam atenção aqui. O primeiro: a relação entre as duas empresas virou de cabeça para baixo em pouco mais de um ano — de parceiras no ChatGPT para adversárias num tribunal, com a OpenAI comprando a empresa de Jony Ive e entrando no território de hardware que a Apple sempre dominou. O segundo: o caso pode expor coisas que nenhuma das duas quer mostrar. Fase de descoberta de provas em processo entre Apple e OpenAI é, potencialmente, um vazamento de informação estratégica antes mesmo da sentença.

Para quem acompanha o mercado de IA, fica a lição prática: a corrida por talento e por hardware está ficando tão disputada que agora está sendo decidida também nos tribunais.

Fonte: Axios